"A nossa maior preocupação é garantir que não falte combustível quando um cidadão precisar de uma ambulância ", diz presidente da Famurs

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A escassez de diesel já afeta diretamente o funcionamento de serviços essenciais em municípios do Estado, especialmente na área da saúde. Levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) indica que 146 municípios gaúchos enfrentam dificuldades no abastecimento de diesel. Na Região Central, pelo menos 12 cidades já registram impactos. Diante desse cenário, prefeitos têm priorizado serviços essenciais, como o transporte de pacientes, ambulâncias e atendimentos de urgência.

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A presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira (Progressistas), afirmou que a situação é delicada e vai além de um problema pontual. Segundo ela, que falou ao vivo no Bom Dia, Cidade, da CDN, desta segunda-feira (23), trata-se de uma crise com impactos econômicos e sociais que já atinge diferentes regiões do Estado. 

— Hoje, os estoques que os municípios têm devem durar entre 10 e 15 dias, mantendo apenas os serviços essenciais. Isso é muito sério, porque estamos falando da vida real das pessoas que dependem do serviço público todos os dias – destacou Adriane.

Na prática, conforme a presidente da Famurs, a falta de diesel tem forçado prefeituras a reorganizar a rotina. Em muitos casos, veículos estão sendo direcionados exclusivamente para a área da saúde, garantindo transporte de pacientes, atendimentos de urgência e transferências. Em outras áreas, como obras e serviços que dependem de maquinário, atividades começam a reduzidas ou suspensas.

A preocupação, alerta Adriane, é ainda maior em regiões como a Central, onde municípios dependem de centros de referência, como hospitais em Santa Maria, para atendimentos de maior complexidade. Sem combustível suficiente, o deslocamento de pacientes pode ser comprometido. 

— A nossa maior preocupação é garantir que não falte combustível quando um cidadão precisar de uma ambulância. Isso é muito grave — afirmou Adriane.

Além da saúde, a crise também impacta o transporte escolar e o funcionamento de serviços públicos urbanos. Em algumas cidades, já há redução de rotas e horários, enquanto outras avaliam medidas mais restritivas. A situação varia conforme a realidade local, mas, segundo a Famurs, o cenário é generalizado.

Outro ponto de alerta é o impacto na economia, especialmente no campo. Em plena colheita da safra, a falta de diesel compromete o transporte e o escoamento da produção. Adriane destaca que o problema pode gerar prejuízos imediatos e em cadeia: 

— Se o campo sofre, a cidade também sofre.

Com um panorama delicado, a Famurs busca articulação com os governos estadual e federal. A entidade pretende apresentar um diagnóstico detalhado da situação e cobrar medidas para garantir o abastecimento, além de mais transparência sobre estoques e logística de distribuição de combustíveis.

A presidente também defende ações estruturais a médio e longo prazo, como a diversificação da matriz energética e o incentivo à produção nacional de combustíveis, para reduzir a dependência de fatores externos. Enquanto isso, os municípios seguem monitorando a situação e adotando medidas emergenciais para manter os serviços básicos em funcionamento.

Na região, crise pode avançar e levar mais municípios a decretar emergência

Aqui na Região Central, pelo menos 12 municípios já enfrentam impactos da escassez de diesel e, até o momento, duas cidades, Formigueiro e Tupanciretã, decretaram situação de emergência. De acordo com o presidente da Associação dos Municípios da Região Central do Estado (AMCentro), Luís Henrique Kittel (PL), a tendência, no entanto, é que esse número aumente nos próximos dias e outros municípios avaliem a adoção da mesma medida ainda nesta semana.

— A gente tem acompanhado, nos últimos 10 dias principalmente, toda essa questão da crise dos combustíveis. Pelo que os prefeitos da região têm colocado, provavelmente São Sepé e Capão do Cipó também devem decretar emergência agora no início da semana — afirmou.

Kittel ressaltou que a situação varia conforme a realidade de cada município. Em Agudo, por exemplo, ainda não há falta de combustível, mas os reflexos já são sentidos nos contratos. 

— As empresas que fornecem combustível para a prefeitura já entraram com pedido de reequilíbrio de valores, em razão do aumento dos preços e também da própria escassez — disse.

Para o presidente da entidade, os próximos dias serão decisivos para avaliar a evolução do cenário. 

— Essa semana que se inicia é primordial, essencial, para que todos os municípios façam uma nova avaliação da situação. Dentro de uma expectativa otimista, a gente gostaria que essa crise fosse minimizada da melhor forma. Mas é uma questão global, não depende dos municípios
— completou.

Cidades afetadas na região

  • Agudo
  • Cacequi
  • Dilermando de Aguiar
  • Formigueiro
  • Jaguari
  • Júlio de Castilhos
  • Restinga Sêca
  • Santa Maria
  • São Pedro do Sul
  • São Sepé
  • São Vicente do Sul
  • Tupanciretã


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